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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Brasil, Um País do Futuro?

      Desde muito nova escuto essa afirmação. Brasil é um dos países que se encontra no chamado BRIC, composto por países emergentes com grande potencial de crescimento. Analisando a evolução como um todo no nosso país nas últimas décadas, há uma resposta positiva em vários setores, porém, ainda há uma ausência de base para suportar esse crescimento. Entre diversos fatores que devem ser trabalhados com maior dedicação em um futuro próximo, o que mais me preocupa é a educação.
     Com o crescimento industrial e tecnológico que já está ocorrendo, há necessidade de mão de obra adequada para o mercado de trabalho e pesquisas científicas. Claro que houve mudanças. Hoje, por exemplo, é muito mais fácil conseguir se formar do que há uma década, porém, qual a qualidade desse ensino? Para começar, analisaremos o ensino apresentado para as nossas crianças e adolescentes. Em 2009, segundo o IBGE ( Institudo Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de  86,9% dos estudantes com 4 anos ou mais cursam o ensino básico na rede pública, isso representa cerca de quase 31 milhões de pessoas, logo,  mais de 3/4 dos estudantes brasileiros dependem diretamente do ensino público.
     Sabe-se que a rede pública de ensino enfrenta diversos problemas, entre eles, má infra-estrutura, desvalorização salarial, dificuldade burocrática em conseguir recursos financeiros para investimento nos colégios e, até mesmo, desrespeito e insegurança nas escolas. Cada dificuldade dessa afeta de forma negativa a qualidade do ensino desses estudantes.
      Particularmente, sempre estudei e estudo na rede pública, embora ainda nova, sempre percebi que o ensino cobrado e apresentado em sala de aula era pouco quando comparado a minha capacidade de aprender. Tive aulas com professores ótimos que muito me ajudaram a passar no vestibular, porém, tive aula também com professores desmotivados que não viam necessidade de se atualizar em relação a própria matéria e cobrar dos alunos que aprendessem. Como estudante de uma rede pública da periferia do Distrito Federal, ouvi de colegas de classe, durante o meu ensino médio, que não havia necessidade nenhuma de estudar, pois, quando se formassem, iriam trabalhar, e pouco importava se eles sabiam resolver uma equação do segundo grau, ou não. Infelizmente, não são todos os estudantes que correm atrás do ensino de qualidade por conta própria, a maioria se acomoda e até demonstram satisfação quando não há obrigação de estudar para conseguir o diploma vendo supletivos como vantajosos, formas de conseguir um diploma em pouco tempo, sem necessidade de muito esforço.
     Quando analisamos os dados do ensino superior brasileiro, percebemos uma mudança drástica. A grande maioria, cerca de 76,3% dos estudantes do ensino superior, segundo IBGE-2009, está cursando em faculdades particulares. Embora o número de formandos no ensino superior tenha aumentado muito, a qualidade, em média, de ensino ainda está baixa. A poucas faculdades que priorizam a qualidade, e a  maioria dessas, possuem preços altos. Para a maioria dos estudantes que não conseguem entrar na universidade pública e não possuem renda suficiente para pagar uma boa faculdade particular, acabam optando por cursar o ensino superior em uma faculdade mais barata, porém, com ensino mais fraco. O meu irmão que também foi de colégios públicos, não teve o mesmo empenho em estudar no colegial. Como a maioria dos meus colegas, sempre pensou que não haveria consequências sérias em não estudar quando criança, e ao chegar ao ensino médio, constatou uma grande dificuldade em acompanhar ensino apresentado devido a falta de conhecimentos básicos do ensino fundamental. Por fim, com atraso, ele concluiu o ensino médio e entrou em uma faculdade particular que cabia no bolso dele. Nesse semestre ele irá formar, porém, já declarou que não irá trabalhar na área porque não se sente preparado. Disse-me, em uma conversa informal, que pouco aprendeu na faculdade e não domina o suficiente para buscar emprego na área dele, de tecnologia. A faculdade em questão, embora apresente mensalidades baixas, foi obrigada pelo MEC à não abrir mais vagas por ter apresentado média inferior a 2 pontos no exame ICG ( Índice Geral de Curso), por três anos consecutivos. O complicado é que faculdades com baixa qualidade e baixos preços são comuns, e casos semelhantes ao dele também, o que faz aumentar a quantidade de formados no país, porém, diminuir a qualidade deles.
      O impacto negativo desse ensino no país afeta diversas áreas. É evidente que há inúmeras pessoas que fazem da oportunidade de estudar em uma faculdade, mesmo que esta não seja muito qualificada, uma ótima qualificação para o mercado de trabalho, mas infelizmente, esses estudantes são a minoria.
      Com todos esses fatos, o que me preocupa é a ausência cada vez maior de mão de obra qualificada para empregos ligados especialmente nas áreas tecnológicas. Um país com potencial para crescer que já está se desenvolvendo, precisa contratar estrangeiros para trabalhar no país, mesmo com tantos brasileiros precisando de empregos. Um país é formado pela massa pensante, pelos trabalhadores, pelos grandes grupos sociais. Esta é a base do Brasil. Não há como sustentar um grande país sem investimentos na sua base. O que me entristece é que essa situação está na frente de todos, não precisa procurar muito para perceber isso, porém, ainda não vejo a preocupação do país como um todo, governo e população, resultando em atitudes efetivas. Particularmente, torço muito por esse país que possui a maioria da sua população composta por pessoas humildes, alegres e trabalhadoras e confio no potencial do mesmo, mas acredito que não é suficiente esperar que o Brasil seja um país do futuro, é preciso fazer o Brasil ser um país do futuro. 
- Thai Braga

fontes: Dados do IBGE 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Feminismo

Tem uns dias atrás estava vendo um documentário (sim, eu passo meu tempo vendo documentários...) sobre o movimento feminista. Achei muito legal o programa, de forma que resolvi escrever sobre isto aqui. Mas para escrever tive que fazer algumas pesquisas sobre o tema e acabei achando isto aqui.
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A MARCHA DAS VADIAS

Um grupo de cerca de 20 mulheres deu início, de forma tímida, à Marcha das Vadias, na tarde deste sábado na praia de Copacabana, na zona sul do Rio. O ato faz parte de um movimento mundial para denunciar a violência sexual contra mulheres. O grupo vai seguir até o Leme e depois retorna até a rua Hilário de Gouveia, onde funciona a Delegacia de Copacabana (12ª DP).
Com cartazes e faixas com frases de protesto, o grupo, formado em sua maioria por integrantes de entidades feministas, começou a marcha ao lado do posto 4 e ganhou a adesão de turistas e pedestres curiosos.
Uma das reivindicações é que o Estado do Rio tenha uma política específica de proteção a mulher, além da descriminalização do aborto. Segundo Nataraj Trinta, de 28 anos, o Rio não dispõe de uma boa rede de proteção para a população feminina vítima de violência sexual.
- Todos os dias, dez mulheres são estupradas no Estado do Rio e a maioria tem menos de 14 anos.
Nataraj explica que a Marcha das Vadias começou em Toronto, no Canadá, motivada pelos comentários de um policial durante uma palestra sobre violência sexual em que ele afirmou que, para evitar serem vítimas desse tipo de crime, as mulheres deveriam evitar se vestir "como vadias". Desde então, o ato já aconteceu em diversas cidades da Europa e do Brasil.
A expectativa é que o grupo se encontre com outro movimento, o dos bombeiros, que neste sábado fizeram um ato em Copacabana para agradecer  apoio da população e aos parlamentares que conseguiram a anistia civil e criminal aos 429 presos no episódio da ocupação do Quartel Central.



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A primeira impressão que tive quando li o título foi de que não tinham escolhido um bom nome... depois de ler a reportagem toda é que entende-se a ironia.

Mas é preocupante saber que existem pessoas com um pensamento destes. Mesmo que seja um argumento que possa explicar, não é justificável. Enfim, o que quero destacar é que ainda há movimentos de cunho feminista...

O feminismo surgiu nas décadas finais do Século XIX e no início do século seguinte. Tinha, inicialmente, o proposta de defender o direito da mulher ao voto. Tempos depois outras ondas do mesmo movimento chegaram com a famosa idéia de dar direitos iguais, tanto trabalhistas quanto sociais, para homens e mulheres. Mas não venho falar de história, deixo isso para o Leandro, e sim sobre o que achei interessante no documentário.

A palavra feminismo foi cunhada numa época onde imperava o extremo machismo.Revelava-se um certo respeito pelo movimento, no entanto, o que se vê hoje é um certa repúdia pelo termo. Quem não escuta esta palavra e logo pensa em um monte de mulheres numa praça queimando seus sutiãs e reivindicando por direitos? Faça um teste, diga que você é feminista e, muito provavelmente, caso seja mulher, as pessoas vão olhar para você e pensarão imediatamente que você é uma pessoa radical, mal amada e, até mesmo, lésbica. A palavra que simbolizou um movimento de libertação (parcial) da mulher é, hoje, um sinônimo de extremismo feminimo anti tudo que e masculino e considerado como normal. Diz-se que feministas não se casam para não viverem sob o julgo do homem...

E é uma visão distorcida do fato. Há esta estigma sobre os movimentos feministas e sobre as mulheres com ânsia por melhores direitos. Gerou-se um pensamento generalizado sobre um arquétipo da feminista, fruto da luta assídua do passado, que não corresponde, pelo menos em sua totalidade, ao que se vive hoje.

A mulher conquistou um espaço importante e continuará a avançar no que diz respeito a adquirir melhores direitos de igualdade e a sociedade, incluindo as prórpias mulheres, devem parar de desvirtuar a imagem deste movimento com vislumbres de um época que já passou.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Ópio Do Povo

Acho que todo mundo já ouviu a célebre frase de Karl Marx: "A religião é o ópio do povo"... antes de começar a escrever vou dar uma de dicionário aqui...
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KARL MARX

O jovem alemão Marx foi sem dúvida alguma um dos maiores pensadores da humanidade. Fundador do chamado socialismo científico. Foi ele que fundamentou algumas idéias para que o caminho do comunismo pudesse ser uma possibilidade para a sociedade. Dentro de seus pensamentos surge a chamada visão Marxista da história, em que a economia tem grande enfoque.

ÓPIO
O ópio era a cocaína da época de Karl Marx. Uma droga oriunda do oriente com origem numa planta chamada papoula.
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Vamos continuar então...

Segundo Marx o que mantinha o povo em estado de alienação total era a religião. E há uma certa verdade nisso sim. Não há nada de errado na fé e nem na religiosidade, mas em algumas atitudes tomadas pelos dirigentes das entidades religiosas (lê-se aqui igrejas e templos). Pessoas sem o mínimo de instrução eram  facilmente levadas pelas palavras de líderes religiosos naquela época (e ainda o são). A palavra de um padre era ordem de Deus para os homens. Essa falta de capacidade de raciocínio e entendimento dos acontecimentos faziam da religião uma arma política muito utilizada pelos governantes e, insisto, ainda é. No entanto o foco será outro...

Com o passar do tempo o controle exercido pela religião nas grandes massas venho a decair o que significou uma troca de veiculo de controle por parte dos grandes políticos. É aí que entra o assunto desse post... a TV...

Embora a religião ainda seja um veículo de controle - já vem perdendo sua influência no campo político - um outro item muito mais poderoso tornou-se peça fundamental para qualquer um controlar as massas. Como a televisão é um eletrodoméstico muito difundido ao redor do mundo o alcance de toda a sua programação é enorme. Essa facilidade com que se pode "entrar" nas casas brasileiras e de qualquer local no mundo através desse cubo mágico faz dele um grande aliado, não apenas dos poderesos governantes de nosso país, mas dos donos das emissoras de tv.

Através desse aparelho e da confiança que as pessoas tem nele fica muito fácil passar informações furadas sobre diversos temas. Lembro quando o Dunga era técnico da seleção brasileira e ele proibiu a grande dama do jornalismo do plim-plim de entrar no treino da seleção. Resultado: uma chuva de críticas, depoimentos furados e imagens contra o técnico Dunga. A massa brasileira caiu em cima do técnico com essa imagem negativa passada na tv, mas quase ninguém sabe do fato que citei. Isso chama-se alieanação. Muitas notícias passadas em jornais televisivos fica muito evidente os cortes nas falas dos entrevistados. Temos um aparelho em casa que nos manipula a todo instante e nem tomamos conta disso, acreditando que ele está apenas ali para o nosso entretenimento (leia: Sorria! Você está sendo manipulado!!).

O que falar então da programação diária passada nas TVs do nosso Brasil? Novelas, Reality Shows, Programas No-sense que, a título de entretenimento, abobalham as massas. Em vez de discutirem coisas mais relevantes ficam a se perguntar: "E ae? quem vai ser eliminado da 'casa' hoje"?

Lembro quando surgiu, no Brasil, o início de uma discussão generalizada sobre o mensalão e o que o governo e sua aliada televisão fizeram? Começaram a difundir propagandas sobre o debate a respeito do direito de termos armas em casa. Pronto! Alienação total. O assunto morreu na boca do povão e passou a ser assunto apenas nas rodas de poucas pessoas. O drama do mensalão perdeu força e um assunto não mais importante que a atualização da bancada legislativa nacional, virou hit nas rodas de debate.

A gente pode até não notar, mas que a televisão tomou um lugar de destaque no controle de massas é verdade, ahh isso é verdade...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ficha Limpa, Um Passo À Frente

OS FATOS
 No decorrer das eleições do ano passado, em 2010, houve toda uma movimentação cívica a respeito do que ficou conhecido como Ficha Limpa. Durante mais de um ano o MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral) e a ABRACCI (Articulação Brasileira Contra a Corrupção e Impunidade) coletaram através de diversos meios de comunicação, incluindo a internet, 1,3 milhões de assinaturas para que a proposta vie-se a se tornar um projeto de lei. Com esse número alcançado e com o forte apoio da sociedade civil brasileira o projeto passou por todas as casas do legislativo tornando-se a Lei Complementar Nº 135, de 4 de Junho de 2010. Então surgiu um problema. E esse problema tinha nome e sobrenome: Joaquim Roriz...

Acusado de faltar com o decoro parlamentar e possuir mais de 140 processos nas costas (nas mãos, pés, ouvido e haja espaço em casa para tanto processo), Joaquim Roriz recorreou da decisão o que levou a lei da ficha limpa para todas as instâncias do judiciário. Já no STF (Supremo Tribunal Federal) foi levantada a posssibilidade de que a ficha limpa fosse incontitucional. Houve um impasse: na hora de votar se era ou não era constitucional teve um empate e deixaram para decidir isso só quando um novo ministro entrasse para dá o voto de Minerva.

Resultado: o ficha limpa valeu, em parte, para as eleições de 2010, no entanto, ainda não é uma lei definitiva...


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O QUE ISSO NOS MOSTRA

O brasileiro é um povo sem espírito político (leia mais sobre em "Vamos Falar de Política??"). Isso é uma verdade que ninguém nega e, espero, ninguém se orgulhe. Isso é uma característica explicada até mesmo pelo nosso histórico: sempre muito passivo nas decisões do passado, como na indenpendência e na proclamação da república. O brasileiro nunca precisou suar e nem derramar sangue para conseguir essas conquistas. Isso tornou o brasileiro deslaxado para a luta de seus direitos. Passamos por uma quantidade enorme de golpes e pouco vimos a democracia. Hoje vivemos num ambiente mais favorável de forma que é possível falarmos de política. Verdade, o brasileiro não gosta de falar sobre isso, no entanto, a movimentação dada para que a ficha limpa vira-se lei é um passo importante pra que o maior mal nacional se extingua: a corrupção. Essa mobilização mostra que falta para nós a iniciativa. É dentro desse contexto que é possível politizar o brasileiro.

Li em reportagens que nas eleições de 2010 houve um fato inédito na política nacional: uma quantidade fora do comum de brasileiros iniciaram pesquisas, de livre e espontânea vontade, sobre os pretensos candidatos ao seu voto. É uma coisa legal de se saber. Óbvio que, como "bom brasileiro", eles vão esquecer em quem votaram, mas já é uma atitude louvável.

O Ficha Limpa é uma lei que trás uma diversidade de benefícios à população e é engraçado dizer que é incostitucional na medida que foi democraticamente aceita pelo Brasil. Salvo algum desvio de 5 pontos percentuais, uma média de 80% a 90% das pessoas aprovavam a iniciativa! Como isso pode ser inconstitucional?

Acho que a lei da ficha limpa é um ótimo meio de criar um novo tipo de brasileiro: um brasileiro mais propenso a debates... um brasileiro politizado.
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FONTES E LINKS
 

Fonte do número de processos do titio Roriz
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OBSERVAÇÃO

Luiz Fux, novo ministro do STF, já está aí e ele é muito simpático para com a lei do Ficha limpa. Provável que ele a aprove!

"Um voto muda tudo"

Saudações a todos!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Por Que Escuto Rock'n'Roll?

Quando mais novo, em meus 7 anos de idade, era uma criança que não tinha preferências musicais. Ouvia o que era posto nas ruas e televisão e, de fato, não gostava nem um pouco daquilo tudo. Então, mexendo nos discos antigos do meu pai vi um que me chamou a atenção: The Bee Gees. Poxa, foi a primeira banda que gostei. E passei a ouvir aqueles discos da década de 70. Então cresci mais e percebi que eram músicas das quais não podia compartilhar como minhas, pois faziam parte de um outro tempo e mundo. Mais uma vez mexi nos cds de casa e vi albuns de Milton Nascimento, Jair Rodrigues, Chico Buarque, Elis Regina e Geraldo Vandré. Poxa, adorei tudo aquilo. Cheio de energia brasileira e repleto de reflexões sobre momentos da história brasileira. Mas ainda não tinha o que eu queria. Queria força e explosão, entende? Então, em meus 10 anos de idade, vi um nome que mudaria o que ouviria a partir dali: Legião Urbana...

Nossa! Legião Urbana me fez ouvir um mundo inteiramente novo. Renato Russo era preciso em seus versos e o que dizia era exatamente o que eu pensava. Melodias cobertas de uma atmosfera feroz, às vezes densa e profunda, outras vezes alegres. Notei o quanto aquilo era ótimo para se ouvir e refletir, pois se você não reflete ao escutar Legião Urbana, de fato, você não ouviu Legião Urbana. Ouvi todas suas músicas. Cinco, dez... cem vezes! E queria mais. Pesquisei outros nomes do Rock'n'Roll, mas agora queria ouvir coisas mais velozes e explosivas. Foi quando um amigo me mostrou Metallica.

Mais uma revolução ocorreu. O Heavy/ Trash Metal deles era inconfundível. Analisando suas letras observar-se reflexões filosóficas sobre a morte, controle e solidão. Foi então que comecei a ouvir Queen, Nightwish, Lacuna Coil, Iron Maiden, Blind Guardian, Rhapsody, Sepultura, Epica, Kamelot, AC/ DC, Dream Theater, Black Sabbath e tantos outros nomes. Ainda escuto minha MPB, meu Blues e Jazz, sonsinhos de 70 (muitos bons), reggae e até música erudita e samba (por que não?!).

O que toda essa história tem haver com o título do post?

Bem, durante essa minha viagem musical observei um fato que só me deixou sossegado quando ouvi os primeiros versos de Rock'n'Roll: as produções musicais, de forma geral, não alimentavam minha fome por refletir. Músicas da década de 60 e 70 são muito divertidas e alegres, mas não tem nada além de um ar divertido (raras exceções). "Esqueça o mundo ao redor e vamos dança"! A MPB é um nível que trás sim toda uma reflexão que não se encontra nas músicas ouvidas nas décadas de 70. Tem todo o tempero brasileiro e aponta as mazelas sempre de forma alegre, no entanto, diz respeito apenas ao Brasil. O Rock'n'Roll não. Ele é explosivo, alegre e divertido. É pura expressão da juventude. Carregado de vida e força. Inteligente quando preciso e reflexivo.

O que quero dizer é que, de forma geral, o Rock'n'Roll se diferencia das demais demonstrações musicais por ser uma forma universal. Como a música erudita (clássica) ele não se importa com limitações temporais ou locais. Muito do que é dito nas canções de Rock são atuais em qualquer época. Ouvir uma música do Iron Maiden ou do Metallica, escrita a quinze anos, ainda é relevante.

Sei que há muito produzido nessa esfera que não presta, mas é muito mais fácil enxergar bandas e canções de verdadeira força. Não quero dizer que os demais gêneros musicais não tenham sua beleza e importância. Não é isso. Exprimo aqui motivos que me fazem gostar mais de Rock'n'Roll. Somente isso. Também gosto demais de MPB (realmente gosto muito), Jazz, Blues, Reggae, músicas antigas e curto até samba e, por quê não, forró. Só expresso aqui o que me levou a ouvir Rock'n'Roll, e o metals da vida.

Enfim, escuto Rock'n'Roll porque este trás essa, flexibilidade e reflexão universal e é isso que me faz admirá-lo... óbvio, também pelas guitarras alucianadas, a bateria pegando fogo e o baixo dando cobertura!

O Rock'n'Roll é alimentado pela juventude e seus sentimentos controvertidos e reflexivos sobre o mundo.  Há velhos que escutam também, mas por que ainda carregam em si o espírito da juventude. Enquanto houver jovens no mundo com guitarras à mão o Rock será seu hino!

"Turn On this Guitar and play it on"!

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Academy Awards 2011 (Oscar 2011)

APRESENTAÇÃO

Acredito que é de conhecimento geral que a entrega do principal prêmio do cinema mundial foi ontem, dia 27 de Fevereiro.

Como é de prache a academia põe um casal para as apresentações da noite. Desta vez o casal escalado foi Anne Hathaway e James Franco. Eles se sairam muito bem, desempenhando os seus papéis de anfitriões de forma exemplar, para a primeira vez em que os dois fizeram as vezes de anfitriões.

Neste ano o filme que mais recebeu prêmios foi O Discurso do Rei. Foi também o filme que mais recebeu prêmios das principais categorias.

O que recebeu o título de melhor filme foi O Discurso do Rei.

Não vou prender-me aos acontecimentos da noite. Vou apenas citar o que realmente importa: Os indicados e os vencedores.
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MELHOR FILME

Os indicados: Cisne Negro, O Vencedor, A Origem, O Discurso do Rei, A Rede Social, Minhas Mães e meu Pai, Toy Story 3, 127 Horas, Bravura Indômita, Inverno da Alma.

"And The Oscar Goes To": O Discurso do Rei.

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MELHOR DIRETOR

Os indicados: Darren Aronovsky (Cisne Negro), David Fincher (A Rede Social), Tom Hooper (O Discurso do Rei), David O. Russell (O Vencedor), Joel e Ethan Coen (Bravura Indômita).

"And The Oscar Goes To": Tom Hooper (O Discurso do Rei).
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MELHOR ATRIZ

As indicadas: Nicole Kidman (Reencontrando a Felicidade), Jennifer Lawrence (Inverno da Alma), Natalie Portman (Cisne Negro), Michelle Williams (Blue Valentine), Annette Bening (Minhas Mães e meu Pai).

"And The Oscar Goes To": Natalie Portman (Cisne Negro).

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MELHOR ATOR

Os indicados: Jesse Eisenberg (A Rede Social), Colin Firth (O Discurso do Rei), James Franco (127 Horas), Jeff Bridges (Bravura Indômita), Javier Bardem (Biutiful).

"And The Oscar Goes To": Colin Firth (O Discurso do Rei).

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MELHOR ATRIZ COADJUVANTES

As indicadas: Amy Adams (O Vencedor), Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei), Jacki Weaver (Animal Kingdom), Melissa Leo (O Vencedor), Hailee Steinfeld (Bravura Indômita).

"And The Oscar Goes To": Melissa Leo (O Vencedor).

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MELHOR ATOR COADJUVANTES

Os indicados: Christian Bale (O Vencedor), Jeremy Renner (Atração Perigosa), Geoffrey Rush (O Discurso do Rei), John Hawkes (Inverno da Alma), Mark Ruffalo (Minhas Mães e Meu Pai).

"And The Oscar Goes To":Christian Bale (O Vencedor).

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MELHOR LONGA ANIMADO

Os indicados: Como Treinar o Seu Dragão, O Mágico, Toy Story 3.

"And The Oscar Goes To": Toy Story 3.

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MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

Os indicados: Biutiful, Fora-da-Lei, Dente Canino, Incendies, Em um Mundo Melhor.

"And The Oscar Goes To": Em um Mundo Melhor.

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MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Os indicados: Alice no País das Maravilhas, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I, A Origem, O Discurso do Rei, Bravura Indômita.

"And The Oscar Goes To": Alice no País das Maravilhas.

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MELHOR FOTOGRAFIA

Os indicados: Cisne Negro, A Origem, O Discurso do Rei, A Rede Social, Bravura Indômita.

"And The Oscar Goes To": A Origem.

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MELHOR FIGURINO

Os indicados: Alice no País das Maravilhas, I am Love, O Discurso do Rei, The Tempest, Bravura Indômita.

"And The Oscar Goes To": Alice no País das Maravilhas.

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MELHOR MONTAGEM

Os indicados: Cisne Negro, O Vencedor, O Discurso do Rei, A Rede Social, 127 Horas.

"And The Oscar Goes To": A Rede Social.

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MELHOR DOCUMENTÁRIO

Os indicados: Lixo Extraordinário, Exit Through the Gift Shop, Trabalho Interno, Gasland, Restrepo.

"And The Oscar Goes To": Exit Through the Gift Shop.

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MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

Os indicados: Killing in the Name, Poster Girl, Strangers no More, Sun Come Up, The Warriors of Qiugang.

"And The Oscar Goes To": Strangers no More

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MELHOR TRILHA SONORA

Os indicados: Alexandre Desplat (O Discurso do Rei), John Powell (Como Treinar o seu Dragão), A.R. Rahman (127 Horas), Trent Reznor e Atticus Ross (A Rede Social), Hans Zimmer (A Origem).

"And The Oscar Goes To": Trent Reznor e Atticus Ross (A Rede Social).

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MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Os indicados:Coming Home” (Country Strong), “I See the Light” (Enrolados), “If I Rise” (127 Horas), "We Belong Together" (Toy Story 3).

"And The Oscar Goes To": We Belong Together (Toy Story 3).

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 MELHOR MAQUIAGEM

Os indicados: O Lobisomem, Caminho da Liberdade, Minha Versão para o Amor.

"And The Oscar Goes To": O Lobisomem.

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MELHOR CURTA-METRAGEM EM ANIMAÇÃO

 Os indicados: Day & Night, The Gruffalo, Let’s Pollute, The Lost Thing, Madagascar, Carnet de Voyage.

"And The Oscar Goes To": The Lost Thing.

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MELHOR CURTA-METRAGEM

Os indicados: The Confession, The Crush, God of Love, Na Wewe, Wish 143.

"And The Oscar Goes To": God of Love.

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MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Os indicados: A Origem, Toy Story 3, Tron – O Legado, Bravura Indômita, Incontrolável.

"And The Oscar Goes To": A Origem.

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MELHOR MIXAGEM DE SOM

Os indicados: A Origem, Bravura Indômita, O Discurso do Rei, A Rede Social, Salt.

"And The Oscar Goes To": A Origem.

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MELHOR EFEITOS ESPECIAIS

Os indicados: Alice no País das Maravilhas, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I, Além da Vida, A Origem, Homem de Ferro 2.

"And The Oscar Goes To": A Origem

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MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Os indicados: A Rede Social, 127 Horas, Toy Story 3, Bravura Indômita, Inverno da Alma.

"And The Oscar Goes To": A Rede Social.

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MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Os indicados: Minhas Mães e meu Pai, A Origem, O Discurso do Rei, O Vencedor, Another Year.

"And The Oscar Goes To": O Discurso do Rei.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Santuário: O Filme

Título Original: Sanctum
Lançamento:     2011
Direção:            Alister Grierson
Duração:           79 minutos
Gênero:            Aventura
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Sinopse: Santuário é um filme cujo foco é a sobrevivência de exploradores num complexo de cavernas submersas. É a luta de um pai para manter não apenas seu filho vivo, mas a esperança de conseguir sair desse lugar que sulga as vidas dos que lá se aventuram. É uma corrida contra o tempo e contra as dúvidas de sairem vivos.
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Comentários: Assisti a esse filme com meus irmãos há uma semana atrás. Como a maioria dos filmes desse gênero ele inicia de forma bem lenta até alcançar um ritmo muito acelerado. Não sou um grande fã da tecnologia 3D... não que eu ache bobeira, mas é que não vejo justificativa para o preço. Pago R$ 25 para ver um fimle 3D e quando observo o filme tem apenas uma ou duas cenas que é visível o efeito - que normalmente são pedras ou pétalas caindo do alto. No entanto, esse filme vale a pena ver em 3D, pois tem muitas cenas de profundidade, na medida que se passa dentro de cavernas.

O filme tem algumas cenas fortes (ok. não tão fortes, mas podem ser meio enjoadas para algumas pessoas).

Tem uma grande quantidade de cenas velozes e o jogo de câmeras ficou muito bem feito. Ótimo trabalho de direção! É um filme que faz você perder o fôlego junto com os personagens dentro de um mundo em que cada segundo é a diferença entre perder-se dentro de um complexo de cavernas escuras e abaixo d'água ou sair rumo às águas do pacífico sul.

Quem quiser dá uma olhada no trailer...


Que Notas São Estas!?

Acredito que todos já tenham observado como as coisas vêm se invertendo na escola. Refiro-me ao fato de que na atualidade é muito comum vermos uma cobrança da sociedade para com a escola sobre a educação moral das crianças. Isso é ilógico! Os preceitos morais devem ser passados pelos pais aos filhos. A escola é responsável apenas pela educação formal. Não digo que professores não possam se preocupar com seus estudantes e como eles se comportam, na verdade, é louvável essa atitude. Digo que não é um dever deles essa atitude e não deve ser cobrada. A "boa educação" é uma obrigação dos pais, em casa.

A transferência dessa obrigação gera uma diversidade de problemas sociais, como o roubo da identidade do professor (como instrutor formal) e dos pais (como instrutores morais), crianças confusas sobre quem é autoridade, crianças que vêm de casa sem noções básicas de comportamento e que não admitem advertências advindas de professores etc. Torna-se comum assistir televisão e ser alvo de notícias sobre agressões, físicas e verbais, de alunos aos professores. Meu pai costuma lembrar sempre que no tempo dele quando professor entrava em sala galera ficava de pé, em respeito ao mestre. Hoje vejo aluno jogando cadeira em cima de professor!

Agora, o mais chocante, é que além de transferir suas obrigações morais aos professores os pais ignoram completamente que seus filhos estam se tornando verdadeiros marginais em estado latente. Combatem os educadores como se estes fossem a causa da má educação moral de seus filhos.

Gosto sempre de ressaltar que todo efeito possui uma causa. É nessas causas que é possível entender melhor toda essa situação catastrófica para a sociedade, na medida que criará uma geração de pessoas sem noções básicas de boa conduta. Uma causa possível é a falta de percepção da diferença entre dar liberdade aos filhos e ignorar sua existência. O despreparo dos pais é um fator que deve ser levado em conta. São jovens que acabam tendo filhos cedo demais sem ter um entendimento melhor do mundo. Como são jovens e querem curtir a vida transformam a escola numa grande mãe. É um erro isso. A escola não está preparada para esse tipo de ensino.

O papel do professor vem sendo distorcido e repito: há ótimos professores que tomam seus alunos para aconselhá-los e isso é muito bom, mas professor não é pai/ mãe/ babá... professor é um mestre que pode tornar-se um grande amigo... uma referência.

A escola não é babá de ninguém... é uma mestra.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O Direito ao Palavrão

 Poxa, muito bom esse texto! O li tem tempo e acabei lembrando dele ao ler um post no Apenas um Blog .

Não percamos tempo e leia-o!
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autoria: desconhecida, mas dizem ser de Fernando Veríssimo.

"Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua.

‘Pra caralho’, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que ‘Pra caralho’? ‘Pra caralho’ tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do ‘Pra caralho’, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso ‘Nem fodendo!’. O ‘Não, não e não!’ e o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade ‘Não, absolutamente não!’ de modo algum o substituem. O ‘Nem fodendo’ é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo ‘Marquinhos, presta atenção, filho querido: NEM FODENDO!’. O impertinente se manca na hora e vai pro shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o ‘Porra nenhuma!’ atendeu tão plenamente às situações em que nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um ‘é Ph.D. porra nenhuma!’, ou ‘ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!’. O ‘Porra nenhuma!’, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.


São dessa mesma gênese os clássicos ‘aspone’, ‘chepone’, ‘repone’ e, mais recentemente, o ‘prepone’ — presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um ‘Puta-que-pariu!’, ou seu correlato ‘Puta-que-o-pariu!’, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer um ‘Puta-que-o-pariu!’ dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça. E o que dizer de nosso famoso ‘Vai tomar no cu!’? E sua maravilhosa e reforçadora derivação ‘Vai tomar no olho do seu cu!’. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: ‘Chega! Vai tomar no olho do seu cu!’ Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do português vulgar: ‘Fodeu!’ E sua derivação mais avassaladora ainda: ‘Fodeu de vez!’ Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa.

Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? ‘Fodeu de vez!’ Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de ‘Foda-se!’ que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do ‘Foda-se!’? O ‘Foda-se!’ aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. ‘Não quer sair comigo? Então foda-se!’ ‘Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!’

O direito a dizer ‘Foda-se!’ deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, Igualdade, Fraternidade e FODA-SE."

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